INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS NÚMEROS


O quarto livro da Bíblia chama-se Números. Após o livro do Levítico nos apresentar o conjunto da Lei de Santidade, o livro dos Números retoma o tema da Marcha pelo Deserto.




 A partida do Sinai é preparada pelo recenseamento do povo que deverá continuar a marcha rumo à Terra Prometido (Nm 1-4) e pelas grandes ofertas que o povo fez para a dedicação do Tabernáculo (Nm 7). Deixando o Monte Sinai (Nm 9-10), os israelitas chegam ao Qades, onde fazem uma primeira tentativa frustrada de entrada na Terra Prometida (Nm 11-14), depois eles se dirigem ao norte, no Território de Moab, e chegam em frente de Jericó (Nm 20-25), e se estabelecem na Transjordânia (Nm 31,32). Com isso o povo vai cada vez mais se aproximando da entrada na Terra que Deus prometera a Abraão. O livro vai nos apresentando relatos muito vivazes de cada etapa desta caminhada do Monte Sinai até alcançar a Terra Prometida.

Visto que os livros do Êxodo e do Levítico não foram suficientes para tratar de toda a legislação do Povo de Deus, o livro dos Números também vai tratar de algumas leis, além de insistir de que é preciso fazer o recenseamento de todo o povo antes de se entrar na Terra Prometida. Seu conteúdo pode ser dividido em três partes: 1) Nm 1,1-10,10: trata do momento em que os hebreus se preparam para deixar o Monte Sinai; 2) Nm 10,11-21,35: relata o caminho feito do Sinai até o Jordão; 3) Nm 22,1-36,13: faz a descrição dos acontecimentos na terra de Moab.

No livro dos Números, Moisés continua sendo o grande e importante mediador entre Deus e o povo e entre o povo e Deus. Moisés é apresentado como o grande profeta de Deus e homem de muita fé. Moisés é aquele que está sempre intercedendo pelo bem do povo e pedindo a clemência de Deus pelos erros do povo. Além disso, o livro dos Números também não esconde as fraquezas humanas de Moisés, como o cansaço e o desânimo.

O livro dos Números não está entre os mais populares e nem sequer entre os mais conhecidos da Bíblia. Precisamos divulgá-lo bastante, até que fique mais conhecido, estudado e vivido. Nesse mundo imediatista e pragmático, talvez a maioria das pessoas ainda não esteja atenta com justo rigor ao que é importante, mas apenas ao que corresponde às suas expectativas. Porém, a mensagem dos Números é importante, igualmente universal e eterna como tudo na Palavra de Deus. Sua missão é documentar como foi que o povo de Israel se organizou, como se preparou e assumiu a Terra Prometida com Josué, alguns anos depois da morte de Moisés.

Números é o livro oficial de cadastramento do serviço militar e de anotação da ordem espiritual e social, do caminhar do povo de Deus. Este livro difícil de entender preenche essencialmente a lacuna entre os israelitas recebendo a Lei no Êxodo e Levítico, e a sua preparação para entrar na Terra Prometida como está escrito em Deuteronômio e Josué.

O objetivo da longa e sofrida caminhada de Israel, do Egito a Canaã, é receber a Terra que Deus prometeu a Abraão e a todos os seus descendentes. Terra escolhida por Deus, não por Israel. Razão pela qual o povo diversas vezes reage contrário com desânimo e desobediência, promovendo até rebeliões, como é o caso das reclamações por água e comida, e até a fabricação do Bezerro de Ouro.

A maioria dos eventos do livro dos Números se realiza no deserto, principalmente entre o segundo e quadragésimo ano da peregrinação dos israelitas. Os primeiros 25 capítulos do livro relatam as experiências da primeira geração de Israel no deserto, enquanto que o resto do livro descreve as experiências da segunda geração. O tema de obediência e rebelião seguidas de arrependimento e bênção percorrem todo o livro, assim como todo o Antigo Testamento, pois Deus nunca desiste de Israel. Pelo contrário, Deus está sempre aberto e disposto a perdoar Israel de seus pecados.

Um dos principais temas teológicos desenvolvidos no Novo Testamento com base no livro dos Números é confirmar que Deus vai julgar todos que o desobedecerem ou levaram outros a se voltarem contra a vontade Dele. A 1Cor 10 de Paulo diz claramente isto e igualmente na Hb 3. Tudo isso implica que estes eventos foram escritos como exemplos para que possamos observar e evitar os erros. Nós não devemos cobiçar as “coisas más, como eles cobiçaram” nem sermos injustos e imorais ou colocar Deus à prova, nem ficar apenas reclamando e se queixando das tribulações da vida. O que Deus quer é que aprendamos igualmente com as tribulações do dia-a-dia e, mais ainda, que vençamos as barreiras da vida diária.

O livro dos Números não defende que as dificuldades em caminhar pelo deserto e que o lutar e vencer os obstáculos ao longo do caminho sejam coisas fáceis. Antes, ele admite que as dificuldades são reais e difíceis. Mas ele também nos mostra que precisamos ter fé e confiança nas mãos de Deus. Deus nunca desamparou seu povo ao longo do grande caminho do Deserto saindo do Egito até chegar à Terra Prometida e não vai ser agora que Ele vai nos abandonar. Pelo contrário, Deus diariamente nos encoraja e nos fortalece para que possamos vencer as barreiras da vida e para que possamos entrar na verdadeira Terra Prometida, que é o Céu.

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