INTRODUÇÃO AO LIVRO DE LEVÍTICO


O terceiro livro da Bíblia chama-se Levítico e é um livro diferente dos outros livros do Pentateuco porque relata quase exclusivamente o sistema de leis para governar Israel na sua vida cotidiana, mas a partir da dimensão religiosa, civil, jurídica e do culto, com todas as suas celebrações e festas anuais (Lv 23). 


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Levítico significa “relativo aos levitas”, que eram os oficiantes do culto religioso. Este livro não relata a história de Israel, mas as leis dadas por Deus ao povo no deserto. Levítico reflete os ideais que eram aceitas em Israel desde o tempo de Moisés até a queda de Jerusalém, ideias referentes ao culto e como realizá-lo de modo agradável a Deus.

O livro do Levítico ocupa o coração da Torá Divina e o seu batimento chama-se Lei da Santidade (Lv 17-16). Ele está repleto de narrativa históricas e códigos de leis, que vão nascendo da vida cotidiana do povo de Deus em marcha até chegar e tomar posse da Terra Prometida. Ele está dividido em 5 partes: 1) Lv 1-7: prescrições sobre os sacrifícios; 2) Lv 8-10: investidura dos sacerdotes; 3) Lv 11-16: prescrições a respeito do que é puro ou impuro; 4) Lv 17-26: Lei da Santidade; 5) Lv 27: apêndice ao Código da Santidade.

O que vemos é que o relato de Êxodo é concluído com a Assembleia e a Dedicação do Tabernáculo, e o Levítico inicia-se com Deus dirigindo-se a Moisés na Tenda do Encontro e prescrevendo a adoração e o serviço a serem realizados. Eis que logo que Moisés ergueu o Tabernáculo e nomeou um sacerdote para servir no altar, seguiu-se a regulamentação do culto divino. É isto que se encontra no livro de Levítico. Sem sacerdotes e sem sacrifícios, ninguém poderia se aproximar de Deus. O relacionamento com Deus exigia condições de pureza e santidade, tanto morais como cerimoniais. Para se chegar a isto, prepararam-se vários manuais que vieram a ter a forma final no livro de Levítico. Embora o livro do Levítico não trate exclusivamente dos deveres especiais dos levitas, ele recebe esse nome porque diz respeito, sobretudo, ao culto de adoração no Tabernáculo, dirigido pelos sacerdotes, filhos de Aarão, com a cooperação de muitos membros da tribo de Levi.

 O autor humano de Levítico não é mencionado no livro. Contudo, a expressão “o Senhor disse a Moisés” aparece mais de 25 vezes no texto. Estudiosos judeus e cristãos tradicionalmente atribuem o livro a Moisés, o legislador de Israel, mas não se sabe quem de fato é o seu autor humano. Aliás, não se sabe quem é o autor de todo o Pentateuco, que conta com 5 livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio. O que se tem como provável é que o conteúdo e a disposição do material tenham sido padronizados posteriormente pelos sacerdotes. Fato é que o livro do Levítico relata, do início ao fim, as palavras de Deus a Moisés e ao seu irmão Aarão, mas jamais informa quando e como essas palavras foram escritas.  Além disso, o livro de Levítico se origina na revelação de Deus dada a Moisés na Tenda do Encontro e no Monte Sinai durante a estada de onze meses de Israel no Sinai após o Êxodo.

 Ocupando o terceiro lugar entre os cinco livros do Pentateuco, o Livro do Levítico tem uma importância muito grande, pois serve-lhe como sustentáculo, como que a haste para o Candelabro. Ao longo de sua maior parte, este livro apresenta todo o quadro das cerimônias e dos rituais. Neste sentido, ele constitui-se num desafio para o leitor moderno, não acostumado a tantas regras e normas culturais. Contudo, é importante procurar compreender os rituais deste livro por duas razões. Primeiro, porque rituais conservam, expressam e ensinam as ideias e os valores mais caros de uma sociedade. Analisando as cerimônias descritas em Levítico, podemos descobrir o que era mais importante aos israelitas do Antigo Testamento. Em segundo lugar, as mesmas ideias aqui presentes são fundamentais para os escritores do Novo Testamento. Em especial, os conceitos de pecado, sacrifício e expiação encontradas em Levítico são usadas no Novo Testamento para interpretar a morte de Cristo e todos os rituais de pureza que os primeiros cristãos precisam enfrentar, principalmente na abertura para o mundo grego, sem a obrigatoriedade de tais normas, a exemplo de Paulo Apóstolo.

Embora muitos estranhem tantas leis e normas, o Livro do Levítico é basicamente um Manual de Santidade criado para instruir a comunidade Israelita a respeito da adoração e vida santa para desfrutar da presença e da benção de Deus, o Senhor dos Senhores. As leis e instruções deviam transformar os antigos escravos hebreus, saídos do Egito, a casa da escravidão, em “um reino de sacerdotes e uma nação santa”, o povo de Deus e luz para as nações.

Neste sentido, o ensinamento central do livro de Levítico é perene, atual e nos encoraja até hoje com estas palavras: “Porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto vós vos santificareis, e sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 19,2). Aliás, este é o mesmo convite que encontramos no Evangelho de Mateus 5,48, Cristo renova-nos o mesmo convite dizendo: “sede perfeitos como o vosso Pai do céu é perfeito”.

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